Os trabalhadores da limpeza urbana do Espírito Santo entraram na greve nacional da categoria, que tem início nesta segunda-feira (22). A paralisação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES).
O motivo central da mobilização é a pressão pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, que tramita no Congresso Nacional. O texto prevê a regulamentação da profissão de gari, um piso salarial nacional de R$ 3.036, aposentadoria especial e jornada reduzida para seis horas diárias (36 horas semanais), além de um adicional de insalubridade de 40% sobre o piso nacional. Segundo o sindicato, a greve foi a saída encontrada depois que as tentativas de negociar uma data de votação do projeto no Senado não avançaram.

Mesmo com a paralisação, nem todos os serviços vão parar. Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), de quinta-feira (18), no Dissídio Coletivo de Greve nº 0000526-60.2026.5.17.0000, obriga a manutenção de percentuais mínimos de atendimento: 100% da coleta de lixo hospitalar, 50% da coleta de lixo úmido de residências, restaurantes, hotéis e estabelecimentos similares, e 50% da limpeza urbana contratada pelo poder público, incluindo varrição de ruas e remoção de detritos em vias públicas. A mesma decisão proíbe bloqueios a garagens, frotas e instalações das empresas de limpeza, assim como qualquer impedimento a trabalhadores que optarem por não aderir à greve.
Em nota, o Sindilimpe-ES disse reconhecer o transtorno que a greve pode causar à população, mas defende que a mobilização é o caminho necessário para evidenciar as condições de trabalho da categoria e o papel dos garis na saúde pública e na organização das cidades. O sindicato afirmou que vai respeitar integralmente as determinações judiciais durante a paralisação, mantendo a mobilização em defesa de garis, margaridas e coletores em todo o país.

