No Espírito Santo, a política conhece bem o peso de determinadas alianças. Algumas composições eleitorais ultrapassam o simbolismo partidário e passam a representar demonstrações concretas de força política. A possível união entre Ricardo Ferraço e o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, caminha exatamente nessa direção.
Se Vidigal aceitar ocupar a vice em uma eventual chapa liderada por Ricardo Ferraço, o governador pode começar a escolher o terno da posse. Não por excesso de confiança, mas porque poucos nomes no Espírito Santo possuem a trajetória, a densidade eleitoral e a capacidade de mobilização que o líder serrano construiu ao longo das últimas décadas.
Médico psiquiatra, Sérgio Vidigal tornou-se uma das figuras mais influentes da política capixaba contemporânea. Presente direta ou indiretamente em praticamente todas as eleições da Serra desde 1996, construiu uma base eleitoral fiel e consolidada em um dos maiores colégios eleitorais do Estado.
Pedetista desde 1988, Vidigal atravessou diferentes ciclos políticos mantendo protagonismo e relevância. Sua trajetória eleitoral impressiona. Entre 1988 e 2020, disputou nove eleições. Foi vereador da Serra entre 1989 e 1992, deputado estadual de 1994 a 1996 e, naquele mesmo ano, venceu pela primeira vez a eleição para prefeito da Serra, surgindo como símbolo de renovação política em um município historicamente dominado por grupos tradicionais.
Desde então, Vidigal consolidou uma marca rara na política: a capacidade de manter conexão popular mesmo após décadas de vida pública. Em uma cidade estratégica como a Serra que concentra força econômica, crescimento urbano acelerado e enorme influência eleitoral seu nome segue sendo decisivo em qualquer composição majoritária.
Nos bastidores, lideranças políticas reconhecem que uma eventual aliança com Ricardo Ferraço alteraria completamente o cenário da sucessão estadual. Vidigal agrega não apenas votos, mas estrutura política, capilaridade regional e forte identificação popular, especialmente na Grande Vitória.
O peso político da família Vidigal também deve permanecer presente nas próximas eleições. O filho do ex-prefeito deve disputar uma vaga para a Câmara Federal pelo Podemos e chega ao processo eleitoral cercado de expectativa e com grandes chances de vitória, especialmente na Serra, onde o sobrenome Vidigal mantém força consolidada junto ao eleitorado.
Esse fator amplia ainda mais a dimensão política da família no tabuleiro estadual. Enquanto Sérgio Vidigal continuaria exercendo influência decisiva em uma eventual chapa ao governo, o avanço de uma nova geração fortalece o projeto político construído ao longo de décadas.
Para Ricardo Ferraço, ter Vidigal ao seu lado significaria muito mais do que ampliar alianças. Representaria a construção de uma frente política robusta, com presença territorial, experiência administrativa e forte potencial de competitividade eleitoral.
Na política, poucas coisas podem ser tratadas como definitivas antes do voto popular. Mas existem movimentos que mudam completamente a percepção de uma disputa. E, no Espírito Santo, poucos movimentos seriam tão impactantes quanto Sérgio Vidigal subir ao palanque ao lado de Ricardo Ferraço.
Se esse “sim” acontecer, o Palácio Anchieta talvez realmente possa começar a organizar a cerimônia de posse.

