O maestro e pianista brasileiro João Carlos Martins é uma representação de resiliência. Ele perdeu o movimento dos dedos após passar por mais de 20 cirurgias nas mãos e teve que deixar a vida de pianista. Ele se reinventou. Tornou-se maestro. Voltou à música. Voltou ainda maior.
E assim na política, a lógica não é diferente. Apenas aqueles que conseguem ajustar rotas, refazer caminhos, reestruturar trajetos, reorganizar alianças e atualizar posturas sobrevivem e se destacam. Poucos no Espírito Santo capturam essa destreza melhor do que o atual prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio.
Após cinco mandatos como deputado estadual, Euclério agora se afirma como um dos prefeitos mais populares do Brasil; no passado, a cidade de Cariacica era uma cidade marcada pelo atraso, problemas estruturais e a população estava profundamente desapontada. Mas ele não entrou em seu caminho em terreno fácil.
Euclério, conhecido por sua natureza combativa, firme e frequentemente explosiva na Assembleia Legislativa, foi um oponente duro para os governos de Paulo Hartung. Seus discursos eram ferozes e confrontos diretos na tribuna da Casa. Por tanto tempo não houve zona de conforto para o então governador em relação à fiscalização e cobrança.
Mas com o tempo, ficou claro que a maturidade política é tão essencial quanto a bravura. De um parlamentar ferrenho, Euclério tornou-se um negociador experiente um verdadeiro adepto da política capixaba. Hoje, estando próximo e alinhado com o ex-governador Renato Casagrande, ele atraiu um número incomparável de obras e investimentos para Cariacica ao longo da história do município.
E as chances só estão melhorando. Com a chegada de Ricardo Ferraço no Executivo estadual, há continuidade: portas abertas, diálogo firme, progresso para a cidade.
E Euclério demonstrou que não saiu de cena após uma saída estratégica de uma candidatura ao Senado. Pelo contrário. A escolha de Cariacica para ser o veículo de prestação de contas do governador Casagrande, entre vários líderes políticos, apenas sublinhou sua força, status e capacidade de articulação.
Por outro lado, em Vila Velha, a situação é inversa. Arnaldinho Borgo, outrora uma promessa política, está perdido em algum lugar entre sonhos e realidade. Esperava-se mais consistência, mais entrega e mais liderança para uma das maiores cidades do estado e presidindo um partido com uma história relevante na construção do país.
Mas uma disjunção entre retórica e conduta foi exibida. Muitas promessas, resultados decepcionantes. Política: ocupar espaço não é suficiente; uma mente política deve ser capaz de mantê-lo.
Os dois caminhos são claramente diferentes. De um lado, uma pessoa que soube quando a política importa, amadureceu e, agora, pode liderar uma orquestra afinada e obter resultados. Do outro, alguém que fez uma má interpretação sobre a linha entre o palco e o playground, e que saiu de cena antes dos aplausos.
Política como a música é, em última análise, sobre preparação, sensibilidade e liderança. E neste ponto, no Espírito Santo, poucos desempenham esse papel com esse nível de exatidão como Euclério Sampaio.

